Incredulidade

Incredulidade é a qualidade, característica, propriedade ou atributo do incrédulo.

Incrédulo é aquele que não crê em alguém ou alguma coisa sem a apresentação suficiente de provas que justifiquem ou atestem o objeto da dúvida.

Este site se destina à reflexão, discussão e exemplos sobre a necessidade  de se retomar a incredulidade como forma de permitir o Progresso e a Evolução da Humanidade.

Não se trata de negar a existência de Deus, como alguns poderiam pensar, nem sequer se trata de um site sobre religião, ainda que esta última inexoravelmente permeie algumas discussões.

Incredulidade – 6000 Anos em 10 Minutos

No princípio da Antiguidade a Fé foi fundamental para garantir a subsistência da espécie humana; a crença num ser superior – Deus – que era onisciente, onipresente e onipotente foi importante para formar a auto-estima da humanidade ao mesmo tempo que lhe imprimia valores morais com a finalidade de reduzir os conflitos entre os indivíduos e lhes facilitar as associações, dando origem às famílias, tribos, e, subsequentemente, às vilas e às cidades-Estado. 

Além disto, dava para a Humanidade um propósito para a vida: a obediência as Leis de Deus era meio caminho andado para a Vida Eterna no Paraíso!

Entretanto, era necessário um canal de comunicação entre o Divino e o Humano, e, este canal, inicialmente foi o Profeta que trouxe a Mensagem .

Admitindo que este Profeta realmente estivesse comprometido com a Mensagem e honestamente preocupado com o destino de seu Povo e dos Povos para os quais levava a Mensagem, podemos aceitar que houve um momento inicial de ingenuidade do Canal.

Os sucessores do Canal foram os Apóstolos e, destes, os Sacerdotes.

Dentre eles houve aqueles que perceberam que do Controle que exerciam sobre os Fiéis, através da Mensagem, emergia um imenso Poder – afinal eram eles que atestavam o que podia e o que não podia ser feito, o que era certo e o que era errado.

Os Sacerdotes eram Juízes de Valores Morais, tendo como referência a Vontade de Deus.

Raciocínio semelhante pode ser desenvolvido para as Culturas Politeístas.

Com a exacerbação da importância do Canal, surge a competição entre o “Estado” e a “Igreja” pela obediência dos “Súditos”/Fiéis”, ainda que, no princípio, a segunda estivesse “subordinada” ao primeiro.

Ao que parece, foi Jesus Cristo o primeiro a sugerir a separação entre obediência à Deus e obediência ao Estado: “dai à César o que é de César, dai à Deus o que é de Deus”.

Isso só foi possível num ambiente multi-cultural, já que a pregação era para os Judeus que tinham a sua própria religião (Judaísmo), diferente da “religião oficial” (hoje Mitologia Greco-Romana) do contexto em que estavam (Império Romano).

Se a “Igreja” era inconveniente para o Poder do “Estado”, o “Estado” era inconveniente para o Poder da “Igreja”.

Afinal, o Poder do Estado estava circunscrito ao seu território, enquanto o Poder da Igreja era transnacional.

Após diversos embates entre um e outro, ambos concordam com uma solução diplomática, tolerância mútua, nem que fosse para “reagrupar e reunir forças” até uma nova oportunidade para cada um tentar impor a sua supremacia ao outro – estamos no meio da Idade-Média.

O século VII marcou o surgimento do Islam e, após a morte de Maomé (632 A.D.), Abu-Bakr foi nomeado o primeiro Califa – Líder Espiritual, Político, e, Militar.

Várias Dinastias de Califas se sucederam até o século XIX.

O Califato foi abolido no século XX pelo primeiro Presidente da República Turca – hoje não há mais Califas.

No século IV Constantino I doou o Palácio Laterano para o Papa Militiades e o Palácio passou a ser a Residência Papal por quase mil anos; no século VIII inicia-se o que viriam a ser conhecidos como “Estados Papais” (728 A.D.,Gregório II), e, após a sua extinção (entre conquistas e reconquistas entre Franceses e Italianos) no século XX foi criado o Estado da Cidade do Vaticano.

Ele é o território Soberano da Santa Sede e o local da residência do Papa, conhecido como Palácio Apostólico.

O Estado da Cidade do Vaticano é governado pelo Papa.

No século XVI, Henrique VIII rompe com o Papa e declara a Igreja da Inglaterra subordinada diretamente a ele (ao Rei), e assim é até hoje [depois de um breve retorno ao Papa durante o Reinado de Mary I (Blood Mary), com o rompimento definitivo no Reinado de Elisabeth I].

Durante o Renascimento, na Europa, Reis (Estado) se intitulavam “Rei por Direito Divino” co-optando a Igreja através de favores (Poder, dinheiro, propriedades e terras).

No século XVIII os Comunistas na França realizam uma Revolução contra o Estado e a Igreja, que chamou a atenção da Europa e do resto do Planeta, mas que se revelou num completo desastre produzindo a sucessão de Repúblicas e Monarquias, até o apagar das luzes da década de 30 do século XX.

No século XX os Comunistas da Rússia realizaram uma Revolução para criar um Estado sem Deus (uma forma simples de se livrar da Igreja) – a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas -, que se tornou o maior fracasso da história contemporânea, haja vista que em menos de 75 anos desmoronou completamente, tendo que ser socorrida pelo Ocidente para evitar um possível conflito nuclear Global.

Estado-Igreja, Igreja-Estado, Estado-Sem-Deus, e, novamente, Estado e Igreja independentes mas disputando o controle dos agora Cidadãos/Fiéis.

Estamos no século XXI.

Incredulidade – Contexto Espiritual
Aparentemente o Homem tem tentado controlar os seus semelhantes através de
dois contextos básicos: material, e, espiritual. 

No contexto material se encontra a própria vida, no contexto espiritual
está a promessa de uma vida melhor; seja agora, seja depois desta vida.

Como, salvo melhor juízo, ninguém sabe o que ocorre depois da morte – se é
que alguma coisa ocorre -, múltiplos cenários podem ser construídos sem o
receio de que possam ser trivialmente refutados.

Desde que críveis, os idealizadores destes cenários podem arregimentar
grupos numerosos de pessoas e controlá-los através de mecanismos
relativamente simples vinculados aos respectivos cenários.

Esses mecanismos fazem parte de um conjunto conhecido, no seu respectivo
cenário, como valôres morais.

A obediência a estes valores é gratificada e a desobediência a algum deles
é punida.

Gratificações e punições podem ser as mais variadas, dependendo da
criatividade dos idealizadores de cada cenário e do cenário em particular.

Se chamarmos de seita cada um destes cenários, estamos a meio caminho
andado para a formação de Religiões.

Uma religião implica na existência de um [ou mais] Criador [es] (entidade
máxima no cenário considerado), Criaturas (criadas pelo Criador), e, o re-
encontro destas com aquele(s).

Talvez pela agonia gerada pela consciência de sua existência finita, o
Homem se apega as Religiões como justificativa e esperança para a sua
limitada existência.

Assim, com um mínimo de sabedoria e algum conhecimento, não é muito difícil
para o iniciado dominar multidões através do contexto espiritual.

No contexto espiritual, não há espaço para a Incredulidade: o “target” crê
naquele cenário (é um crente daquela seita ou religião) ou não crê (exerce
a sua incredulidade) naquele cenário e, portanto, não pertence aquela seita
ou religião.

Para pertencer, o “target” tem que crer em todo o cenário.

A Fé, por definição, nada mais é do que a crença em alguém ou alguma coisa,
prescindindo de provas ou evidências a respeito do objeto em questão.

O “Crente” tem “Fé”.

Não faz sentido, portanto, exigir provas ou evidências de um Crente com
relação a sua Fé.

Incredulidade – Contexto Material
Quem controla um indivíduo no contexto material, controla direta ou indiretamente a vida  deste indivíduo. 

Infelizmente, isso não se percebe desde o princípio, por mais elementar que  seja.

A questão mais importante é: por que alguns indivíduos se interessam por  controlar a vida de outros?

Retórica à parte, porque os primeiros “adquirem” mais vida a custa da vida dos últimos.

Quem não trabalha, vive mais do que quem trabalha?

“O trabalho é uma forma de estruturar a vida a espera da morte.”

Não necessariamente, simplesmente terá outras oportunidades para estruturar (ou não) sua vida, seu dia-a-dia.

Subsistir não é propriamente “viver”, mas para viver é preciso subsistir.

O que é qualidade de vida?

Provavelmente, diversos indivíduos responderiam, no detalhe, diferentemente, mas de forma geral, provavelmente todos aceitariam que é viver com conforto, saúde, segurança, podendo desfrutar do que quiser, com felicidade.

Note-se que os atributos, quanto à abrangência e profundidade, podem variar de indivíduo para indivíduo. Por exemplo, para alguns, “desfrutar do que quiser” pode significar construir uma família coesa e amada, enquanto para outros pode significar levar uma vida de volúpia e davassidão; não importa, cada um tem direito de sonhar os seus próprios sonhos, ninguém é obrigado a “importar” os sonhos dos outros.

Pelo simples fato de estarem no controle, eles tem acesso em primeira mão – quando não exclusivamente -, aos últimos desenvolvimentos da Humanidade, do progresso científico e tecnológico.

Isto lhes da “mais vida”, tanto “stricto” quanto “lato sensu”.

Vejamos dois casos em situações extremas para melhor situar a questão:

a) o Presidente de um País, com um grave quadro clínico, terá a sua disposição todos os recursos existentes da Medicina para ser curado, se a cura for possível. Um indivíduo comum, com o mesmo quadro clínico, ainda que a cura seja possível, não necessariamente terá acesso aos mesmos recursos.

b) quem vai para a guerra é o soldado, não quem a declarou.